REBELDES, MAS, COM CAUSA

O jogador de futebol no Brasil tem o estereótipo do alienado, cujo mundo se resume à bola e o campo de jogo, não sabe opinar sobre nada, não consegue conceder uma boa entrevista, sua fala segue sempre um mesmo clichê, ou seja, da sempre a mesma resposta para qualquer pergunta. Em resumo, não consegue nem defender seus próprios interesses corporativos.

Saio em defesa dos atletas porque se existe alguém que não tem nenhuma culpa sobre essa situação, são eles, os atletas, por sua origem e pelo sistema estabelecido no nosso país. Essa é uma discussão ideológica que não cabe neste espaço nem neste momento. O foco aqui é outro.

Particularmente, apesar da calma aparente, sempre fui inquieto e curioso em relação ao porque das coisas, buscando compreende-las, mesmo antes de completar minha formação ideológica, mas, fundamentada na minha educação familiar e no conceito cristão de justiça e injustiça, que aprendi na família, sem ser resignado.

Por isso, sempre prestei muita atenção naqueles que defendem teses fora do senso comum em seus respectivos tempos, aqueles que se colocam com inteligência e coerência, claro, porque também existe muito excêntrico de plantão aguardando oportunidade para seus minutos de fama.

Os contestadores sempre conseguem fazer com que a sociedade, repense conceitos, avance em vários aspectos e o futebol que é nosso tema permanente aqui tem muitos exemplos, de admiráveis contestadores, que tenho como referências, desde que comecei a entender a civilização em que vivemos.

Começo lembrando o jornalista João Saldanha, o João Sem Medo, histórico torcedor do Botafogo, que montou o time do Brasil que seria tri campeão no México, classificou o time para a copa do mundo, mas não dirigiu o time na copa porque pela sua orientação política, não aceitava ser subserviente ao regime de exceção  que governava o país. Era contra a ditadura. Era alguém diferente no meio do futebol, principalmente naqueles tempos.

No mesmo período, tive o privilégio de ver jogar o Afonsinho, formado nos tradicionais e glamorosos times pequenos do Rio de Janeiro, mas, que também brilhou no Botafogo. Estudante de medicina, exceção à regra.  Craque, mas sem chance na seleção brasileira porque ousava pensar de forma diferente do padrão do jogador de futebol.

Como PALMEIRENSE até morrer, confesso, tive muita inveja da Democracia Corintiana de Sócrates, Casagrande, Vlademir e cia, dos comícios pelas eleições diretas para presidente do país, porque, há vida fora do futebol, era a mensagem daquele grupo e porque  marcaram época na defesa dos direitos dos jogadores, muito humildes  e usados para que sejam alcançados outros interesses, não deles próprios, nem do clube enquanto instituição e muito menos do futebol.

Hoje, com enorme satisfação, vejo surgir não apenas um movimento de grande importância do ponto de vista da cidadania e capitaneado por atletas de futebol, ídolos respeitados, jogadores diferenciados não só do ponto de vista técnico e que influenciarão muita gente a iniciar outras lutas importantes e não só no âmbito do futebol, mas também no futebol, patrimônio cultural do nosso povo, do que querem apropriar se aqueles que exercem seus podres poderes nas federações. Na CBF que já foi de Havelange e Ricardo Teixeira, hoje, de Marin e Marco Polo Del Nero, todos de tristes biografias.

 Fico na expectativa de que um dia a maioria dos esportistas brasileiros tenha a consciência de um Alex, Paulo André, Rogério Ceni e tantos outros representantes do BOM SENSO FUTEBOL CLUBE, que pretende mudanças profundas no futebol, para que todos os envolvidos possam ser beneficiários da modalidade esportiva que faz a cabeça de todos nós.

Quando isso acontecer é sinal que, todos, estaremos vivendo melhor, torcendo melhor.

A certeza é que encontrei mais um motivo para paixão, além do Palmeiras, campeão novamente, não importa que seja da segunda divisão, agora na série A, seu verdadeiro lugar. Com a mesma intensidade, torço, para o BOM SENSO FUTEBOLCLUBE, para que o futebol do Brasil seja o grande vencedor desta história.

Desde os anos setenta continuo me alinhando aos rebeldes, REBELDES, MAS, COM CAUSA, por isso, neste momento de perspectivas de mudanças para o bem do futebol, dou um;

VIVA A REBELDIA, VIVA A INTELIGÊNCIA, VIVA O BOM SENSO FUTEBOL CLUBE, VIVA O NOSSO FUTEBOL.

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