REINVENTAR O FUTEBOL É O DESAFIO



Tenho um amigo que diz que vivemos uma crise de autoridade hoje em dia. De todas as autoridades que lembrarmos. Civis, eclesiásticas, do chefe de família, eu completo, há uma total degradação dos valores éticos na sociedade que denominamos moderna.

Tudo o que aprendi com meus pais que era errado agora pode, desrespeitar e até agredir verbalmente ou fisicamente os professores em sala de aula agora pode. Não pode o professor impor sua autoridade. Agora é buling. Total inversão de valores.

Nas novelas aquele que antigamente era vilão, hoje é mocinho e se da bem e da uma banana para todos nós honestos no fim da novela, na política se apossam daquilo que é de todos e até na religião andam vendendo o evangelho.

Tomar posse do bem alheio marcava o indivíduo pelo resto da vida e ele era marginalizado. Hoje ele é respeitado, principalmente se já ocupou cargo público de relevância, não importa a origem do dinheiro, desde que ele ostente.

O mundo esta mesmo de pernas para o ar e essa “modernidade” atingiu o mundo do futebol e como diria Mauro Cezar Pereira da ESPN, isto tudo hoje “pertence ao futebol”.

Corrupção, enriquecimento ilícito, falência dos nossos clubes. E o pior, vejo poucas pessoas com a capacidade de indignar se diante deste espetáculo de horror oferecido pelos cartolas do esporte que é o preferido dos brasileiros.

Segundo Andrew Jeinning, jornalista britânico que investiga os negócios da Fifa há décadas, João Havelange instituiu a corrupção na entidade a partir de 1974. No ostracismo, parece, não será incomodado enquanto gasta o dinheiro que deveria desenvolver o futebol.

Seu genro Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, vive como milionário em um condomínio de luxo nos Estados Unidos com o dinheiro que poderia resolver a situação de insolvência dos times brasileiros, dinheiro que não é fruto do seu trabalho, mas, resultado de negociatas, não fosse assim não teria largado o osso para fugir.

José Maria Marin, sucessor de Ricardo Teixeira, aquele que embolsou a medalha do goleiro do Corinthians na final da Copa São Paulo e foi flagrado pela televisão, é o único que esta no lugar certo, onde os demais deveriam lhe fazer companhia, numa prisão na Suíça.

Antes tarde do que nunca para um dedo duro que foi responsável pela morte por tortura do jornalista Vlademir Herzog, um dos mártires da redemocratização do Brasil, nos cárceres da ditadura.


Que dizer de Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF que após a prisão de Marin na Suíça deu no pé antes que sobrasse também para ele, que nem viajou agora para a Copa América no Chile, um país que tem acordo de extradição com os Estados Unidos, o país do F.B.I.

Esse senhor que em pouco mais de dois anos a frente da CBF multiplicou algumas vezes o número de imóveis de seu patrimônio, segundo a imprensa.

Espero sinceramente e desesperadamente que a nossa sociedade retome alguns valores éticos de honestidade e dignidade e que a cobrança necessária e justa que vemos hoje em relação à política partidária, estimulada pela mídia, alcance também a nossa política esportiva e em especial àqueles que estarão à frente do nosso futebol.

Os de hoje, na sua maioria, precisam ser banidos. Os que não forem presos.


É preciso passar a limpo o nosso esporte, mais do que isso precisamos reinventar a estrutura do nosso futebol a partir de conceitos de honestidade que mais que antigos, precisam ser eternizados.

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